domingo, 5 de julho de 2009

Não é Futebol!



Cansei de querer falar sobre o excelente filme de Stanley Kubrick e ouvir algo do tipo:-Ah sim! Laranja Mecânica? O time da Holanda né?!
AAAAHHHHHHHHHHH
Laranja Mecânica não é um time! E sim um grande filme!

Laranja Mecânica é a adaptação cinematográfica de Stanley Kubric do livro de Anthony Burges do mesmo nome.

O Livro

Escrito por sAnthony Burges e com o título original A Clockwork Orange, a obra foi lançada em 1962 na Inglaterra e em seguida traduzida para diversos países. Laranja Mecânica faz parte de uma trindade distópica que coroa a ficção científica do século XX. O livro de Burgess divide com 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (ambos britânicos e um pouco mais velhos que ele) a honra de criar um dos cenários mais apocalípticos da literatura de todos os tempos.

O que motivou Burgess a escrever Laranja Mecânica foi inicialmente seu fascínio por gírias, dialetos, neologismos e o jargão de subgrupos (o que hoje convencionamos chamar de tribos urbanas), além de seu espanto, ao voltar de uma viagem à Malásia, com o surgimento repentino de cafeterias, música pop e gangues de adolescentes.

Burgess ambientou Laranja Mecânica no futuro próximo, num tempo em que a violência adolescente atingiu um nível tão insuportável que gerou uma repressão em igual medida da parte do governo, com técnicas pavlovianas de condicionamento (leia-se lavagem cerebral).

Para resolver a questão da efemeridade da gíria usada por gangues da época, Burgess decidiu criar, a partir de um aprofundamento na língua e cultura russa, seu próprio dialeto ou linguagem, chamada por ele de nadsat – termo russo traduzido para o português como adolescência. O nadsat consiste numa mistura de palavras da língua russa e inglesa.

A tradução americana de Laranja Mecânica sofreu alterações à revelia do autor. Nela foi incluído um glossário nadsat e o último capítulo foi simplesmente cortado, alengando-se “razões conceituais”: um final com tom mais otimista não combinaria com o resto do livro. O filme de Kubrick se baseia na edição americana.

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O Filme

No futuro, Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram, cai nas mãos da polícia. Preso, ele é usado em experimento destinado a refrear os impulsos destrutivos, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca.

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É muito difícil julgar um filme como este. Algo frio e violento, ainda pode ser divertido, sarcástico e visionário? Quando se trata de Laranja Mecânica, sim!O filme, em todo o seu esplendor, é uma experiência provável que jamais se esquece. Seus personagens, seu estilo, seu tema e seu material explícito - todo ele combina com a criação de um maravilhoso conjunto que irá ficar na cabeça de muita gente por muito tempo.Devido à intensa violência, especialmente contra as mulheres, é um filme perturbador e difícil de se assistir. Mas se você faz parte do mundo dos cinéfilos, você deve assistir sem interrupção! Deixe Stanley Kubrick levá-lo sobre o lado emocional cinematográfico de sua vida. E não se esqueça de respirar, certo certo? (assistam ao filme e vão entender)

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Sim, pode parecer absurdo, mas creio que não sou a única a perceber o lado B de Alex, o destrutivo e pervertido personagem do genial filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica de 1971. Num roteiro único cheio de linguagem própria, o filme explora um tema absolutamente contemporâneo. “A Clockwork Orange” surpreende e choca seus espectadores até hoje.

Completamente ignorado pela mãe, o personagem interpretado por Malcolm MecDowell vive uma vida desenfreada junto a sua gangue. Delinqüentes que matam, roubam e estupram.

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Num futuro psicodélico e sombrio, “Alexander the Large", vive uma rotina de violência, sexo e caos em Londres, usando uma linguagem própria misturando inglês, russo e gírias criadas pelo bando. Ao ser preso em uma de suas ações absurdas junto a sua gangue, Alex é submetido a testes com drogas, numa tentativa de dominar seus instintos subversivos. E é nesta circunstância que este incrível personagem bizarro se mostra absolutamente astuto e inteligente, contrapondo sua personalidade desfalcada e doentia revelada no começo do filme.

Surge então o que chamo de: primeira vontade de empatia com o personagem. A forma como Alex consegue lidar com o tratamento é que mostra seu lado B, e automaticamente ameniza a primeira impressão, despertando uma confusão de conceitos sobre esta figura intrigante. O fato, é que ele não deixa de ser um pervertido e agressivo. Seus instintos dominantes são apenas controlados com o tratamento, que diga- se de passagem, tão hostil e violento quanto o próprio De large.

As seções de tortura e as reações que tais causam no personagem despertam a segunda vontade de empatia. Privado de maneira brutal de seus impulsos violentos, Alex perde também seu livre arbítrio.

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Em suma, o que se constata da personalidade de Alex e que traz consigo esta parte cativante, é que esta figura não passa de um ser humano descartado pela sociedade, por isso a falta de limites, não é um louco, como parece ser e pelo contrário, é um cara dotado de grande inteligência mas que canaliza sua habilidade de pensar em gestos agressivos e atos violentos.

O lado B deste incrível e complexo personagem, é tão admirável, que nos causa medo, um paradoxo atual abordado em tempos escusos que é no mínimo, genial.

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Censura Brasileira

Rodado em Londres no ano de 1970 e lançado mundialmente no ano seguinte, Laranja Mecânica virou alvo da censura na época e foi proibido no Brasil. Por quase toda a década de 70, os brasileiros só ouviam falar daquele polêmico filme realizado por Stanley Kubrick após a ópera-prima 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Durante anos a única referência ao filme era sua inovadora trilha sonora que misturava experiências eletrônicas do compositor Walter Carlos (antes de virar Wendy Carlos) com as composições de Beethoven. O filme só foi liberado para exibições no Brasil em 1978 em cópias onde foram incluídas “bolinhas pretas” sobre as genitálias dos corpos nus. A anacrônica censura da época achava mais importante esconder a nudez do que expor as plateias à violência exacerbada que o filme mostrava de maneira até então nunca vista em uma produção mainstream.

Hoje as “bolinhas pretas” não passam de curiosidade e mico histórico ao qual os brasileiros foram submetidos. No entanto, o mesmo não se pode dizer da violência urbana que Laranja Mecânica retrata e que de certa forma antecipava para o futuro. A recente revolta dos jovens nos subúrbios de Paris é apenas mais um episódio que confirma o quanto o livro de Anthony Burgess e o filme de Stanley Kubrick estava à frente de seu tempo.

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Se você é desses que tiram uma lição de moral no final do filme fica bem claro a lição deste..."Tudo Volta Pra Você!"

Nosso protagonista se encontra cara a cara com as pessoas que foram violentadas por ele,mas desta vez a pessoa indefesa torna-se ele.

"Extraordinária sátira à hipocrisia social."







5 comentários:

Liciane disse...

Nossa!! Que máximo, fiquei curiosa!! Vou assistir sim!
Pois é, quanto tempo!!!! Vê se não demora tanto pra aparecer e dar suas ótimas dicas de filmes para os amigos!!!
Já está em férias?!! Rei do amor platônico!!! hehehe
Bjss

Babi Mello disse...

Oi!
Então sou cinefala e ainda não vi esse filme, será que posso me afirmar como tal? Então um clássico, mas sabe os dois livros que vc citou 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, li os dois: SIMPLISMENTE FANTÁSTICOS!
bJ!

Junhu disse...

Eu sempre tive curiosidade de ler o livro e ver o filme, mas nunca corri atrás :D
Vou largar a preguiça e ver um dia desses =)
Adorei o blog!
:D

abração

a má! disse...

Olá ! Já tinha ouvido falar bastante do filme e do livro, mas nunca tinha ido atrás de saber o que era realmente ! Curti, vou procurar pra ler ou assistir agora ;)

beijos ! :*

Felippe Freitas disse...

Assisti e adorei muito bom e recomendo a todos que possuam cérebro.